Clarissa Pont
Ao que tudo indica, a convenção partidária fez bem à candidatura de John McCain, e as pesquisas agora mostram o republicano empatado com o candidato democrata à presidência nos Estados Unidos, Barack Obama. A crise econômica e a impopularidade do presidente George W. Bush tornam o ambiente político ruim para os republicanos, mas diretórios do partido em todo o país relatam uma onda de voluntários e doações nestes últimos dias.
Os estrangeiros, legais ou não, residentes no país apóiam a candidatura de Obama. Cerca de nove milhões de hispânicos podem votar nas próximas eleições presidenciais, e, em quatro estados onde o voto desta comunidade é crucial, os latinos demonstram inclinação ao Partido Democrata, ainda segundo as pesquisas divulgadas na última semana.
Em pesquisa, divulgada na segunda-feira (8) em conjunto pelo Washington Post e pela ABC News, Obama tem 1 por cento de vantagem entre os eleitores registrados, enquanto McCain está 2 pontos à frente entre pessoas que pretendem votar. Em ambos os casos, há empate por causa da margem de erro. Antes da convenção republicana, Obama tinha uma ligeira vantagem na maioria das pesquisas, embora em várias delas o empate técnico já aparecesse.
Segundo o grupo Nielsen Media Research, o discurso de McCain, durante a convenção do partido, foi assistido por 38,9 milhões de telespectadores, quebrando o recorde de audiência registrado na semana passada pelo rival democrata. “Obama tinha a bola e marcou na sua convenção, aí McCain pegou a bola e marcou. Então voltamos para onde estávamos: empate”, afirma Dane Strother, consultor democrata. “Esta corrida vai se resolver em algum condado obscuro de Ohio ou da Flórida, exatamente como sabíamos que seria”, prevê.
Segundo matérias publicadas no The New York Times da última semana, Mc Cain estaria tentando se distanciar de Bush durante a campanha, mostrando-se como “o candidato da mudança”. Em matéria de 4 de setembro último, intitulada “Partido no poder, correndo como se não estivesse”, Peter Baker analisa:
“Depois de assistir os dois conclaves políticos das duas últimas semanas, é fácil de confundir qual dos dois foi o encontro da oposição. Assim que o senador republicano John McCain aceitou a nomeação para candidato à presidente da república, ele e os seus apoiadores começaram a soar como insurgentes tentando derrubar o atual governo”.
O reflexo da impopularidade de Bush é tão grande que, pela primeira vez desde 1952, o partido que detém a Casa Branca não nomeou o presidente ou o vice como candidato. A escolha por McCain para concorrer foi por “alguém sem grande interesse de aparecer como apoiador do governo, justo em um momento em que o partido entende ser difícil defender o que aconteceu nos últimos oito anos de governo Bush”, diz a matéria de Baker.
Ainda segundo o Times, assim que a imagem de George Bush desvaneceu da tela depois de seu discurso gravado e apresentado durante a convenção republicana, nenhuma das pessoas que falou depois mencionou o nome do atual presidente. Uma contagem feita por computador pelo jornal mostrou que o nome de Bush apareceu 12 vezes mais durante falas da convenção democrata.
Em breve discurso de aceitação como candidato, McCain agradeceu “o presidente”, sem indicar seu nome, por conduzir o país “naqueles dias negros” e para “manter-nos seguros de outro ataque”. Referindo-se aos ataques de 11 de setembro, o candidato não fez qualquer referência a Bush, e creditou “as vitórias” militares “à liderança de um brilhante general, David Petraeus”.
Enquanto isso, “no resto do mundo”, Obama é o preferido pela população de 22 países. Segundo pesquisa realizada pelo instituto GlobeScan e divulgada pela emissora pública britânica BBC no dia 3 de setembro, 46% da população mundial acredita que o mundo será melhor se o candidato democrata vencer as eleições. A preferência por Obama aparece em todos os 22 países pesquisados.
Obama passou o mês de julho em uma grande viagem pela Europa e pelo Oriente Médio, que incluiu um discurso para 200 mil pessoas em Berlim. Para 46% dos consultados, as relações dos EUA com o mundo podem melhorar se Obama assumir. Se McCain ganhar, apenas 20% acreditam que haverá avanços nas relações. A vantagem de Obama varia de 9% na Índia a 82% no Quênia, onde o democrata tem família. Foram entrevistadas 22.500 pessoas.
A aprovação geral do atual governo estadunidense também é baixa. Em pesquisa divulgada neste ano também pela BBC, os números apontam que 49% das pessoas entrevistadas tinham uma visão negativa da influência do país no mundo, e apenas 32% avaliaram a nação positivamente. Nas eleições de 2008, os mais entusiasmados com o impacto de um possível mandato de Obama são justamente os aliados do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – Canadá, França, Alemanha, Reino Unido e Itália. Além deles, Austrália, Nigéria e Quênia também estão com Obama.
Na avaliação geral, segundo 46% dos entrevistados, um presidente estadunidense negro “mudaria fundamentalmente” a percepção deles sobre o país. Para 27%, isso não se alteraria. “Um grande número de pessoas pelo mundo claramente gosta do que Barack Obama representa”, avalia Doug Miller, presidente da GlobeScan.
No entanto, a popularidade internacional não garante sucesso em nada. Uma pesquisa parecida da mesma BBC noticiada em 2004 mostrava que a maioria da população mundial preferia John Kerry, porém o democrata perdeu as eleições presidenciais para George Bush.
*Com agências internacionais
FONTE: Agência Carta Maior























Escrito por Oseas Barbosa
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