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	<title> &#187; Isinbayeva</title>
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		<title>Hora de ir embora, saudades</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2008 17:53:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Toscorama</dc:creator>
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<p style="text-align: justify;">Hora de arrumar as malas e ir. Na memória, grandes feitos e malfeitos dos 11 mil atletas de 204 países. Os recordes mundiais foram 43, os olímpicos 132 e, também recorde, 87 países ganharam medalhas. De tudo para o gosto dos 21 mil jornalistas acampados por um mês ou mais na China.</p>
<p style="text-align: justify;">Do já lendário orecchione Michael Phelps e seus 8 ouros e recordes aos 3 ouros do incrivelmente veloz – e bota incrível nisso &#8211; Usain Bolt, da fascinante, imbatível Isinbayeva e seu ouro numa noite de lua cheia e estádio lotado à brutal derrota do atirador norte-americano Matt Emmons, que, assim como em Atenas, jogou fora no último segundo o ouro já garantido. Das glórias ao espetacular coice na cabeça do árbitro desferido pelo cubano do taekwondo, Angel Valodia, neste último dia de provas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na memória os gigantescos e os pequenos feitos, os acertos, as históricas voltas por cima e os erros dos brasileiros. Quinze medalhas, 3 de ouro, 4 de prata, 8 de bronze. Ganharam pouco e perderam muito, mas jogaram o jogo, com a força, o talento e as condições que têm.</p>
<p style="text-align: justify;">Ótimo que a fieira de grandes derrotas imponha o debate, aberto, sem conclusões precipitadas: o Brasil precisa mesmo perseguir o objetivo de se tornar potência olímpica, precisa mesmo de uma olimpíada regada a dezenas de bilhões de dólares de dinheiro público, ou precisa que todos possam ter a chance de acesso a escolas dignas do nome e à prática massiva de esportes?</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil deve lançar-se na formação de elites esportivas olímpicas ou deve investir pesado nas escolas e colher os frutos, inclusive esportivos, logo mais à frente? Sim, há na praça discursos a pregar que estas não são tarefas excludentes mas, contabilizadas as dezenas de bilhões que não sobram para isso e para aquilo, como manter em pé esses discursos?</p>
<p style="text-align: justify;">E um projeto que vá para além do olímpico pode ser desejo e missão de uma casta que decide seus negócios e planos a portas fechadas ou teria que ser fruto de um amplíssimo debate, portas escancaradas? Na China foi a portas fechadas. Porque a China é a China &#8211; não é justamente isso que os mesmos pregam, dizem, escrevem?</p>
<p style="text-align: justify;">Não há como desconhecer o perfil do Estado Chinês. Aqui mesmo nos corredores do hotel ele está presente. Hotel credenciado pelo Comitê Organizador e vizinho ao estádio Ninho de Pássaro. Vigilância absoluta.</p>
<p style="text-align: justify;">Revista na entrada e saída do ônibus para o Centro de Mídia, camareiras em cada corredor do hotel, 24 horas por dia. Para anotar cada vez que um hóspede entra ou deixa o quarto, visita ou não visita um hóspede vizinho. À pergunta do por que tanto, a resposta: “Para sua segurança”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar da presença e missão de contorno policialesco, do livrinho que tudo anota e guarda, comovedoras a dedicação, a disciplina o desejo das pobres meninas do interior em atender, agradar, ajudar, em receber bem quem veio à China. E sem aceitar um centavo como retribuição.</p>
<p style="text-align: justify;">Meio milhão de voluntários. Muitas vezes incômodos, outras tantas apenas by the book como quase tudo na China, como quase todo serviço no país, mas acima disso o desejo de receber bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a régua e compasso de sempre não é difícil perceber, medir o que é o Estado Chinês: um quarto da população da Terra, quase 10 milhões de quilômetros quadrados e inimigos recentes ou antigos ao longo da fronteira de 12 dos 24 países vizinhos, país que gere a um só tempo um dos mais radicais e ferozes experimentos da economia de mercado e um regime político dos mais fechados, comunista, de partido único e centralista.</p>
<p style="text-align: justify;">Visto isso vale a pena instigar: o que, como seriam os Estados Unidos, a Inglaterra, o Brasil… se tivessem este bilhão de bocas para alimentar, aridez em quase 70% do território e o cerco de inimigos históricos?</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos recordes e fracassos boa parte dos jornalistas buscou responder também a estas perguntas. Alguns já se foram, outros seguem por aqui, exaustos pela caça. Daí, talvez, o “não aguento mais, chega”.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez, também charme, porque não há como não guardar a dimensão do que aqui se viu, viveu. Da emoção e talentos extraordinários nas pistas, quadras, piscinas, campos, ao Grande Show da Grande China.</p>
<p style="text-align: justify;">Espetáculo de US$ 45 bilhões montado pelo Estado Chinês para mostrar ao mundo a China que quer se mostrar. Espetáculo com 5 mil anos de histórias, dinastias de milênios, 30 milhões de mortos de fome sob Mao Tse-tung. Espetáculo esportivo, midiático, politico, que emocionou e enredou corações e mentes no mais populoso país do mundo. Diga o que disser, queira o que quiser o Ocidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei, quase todos sabemos que a poção do controle estava, está embutida na fórmula de Pequim 2008, mas nem por isso é menor a vontade de levar a China na memória. Da arrepiante e tecno-humana Festa de Abertura ao feérico encerramento neste domingo.</p>
<p style="text-align: justify;">Na saída do Ninho de Pássaro, nas rádios, televisões, pelas ruas de Pequim ainda ecoa o hino meloso-patriótico de Albert Leung (português e inglês), música me-pega-que-eu-quero de Xiao Ke. Sei, sabemos do veneno daquela canção, pueril mas veneno, e ela ficará enquanto memória existir.</p>
<p>Até a próxima.</p>
<p><strong>Texto de Bob Fernandes</strong></p>
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